Tempo de indignação

Tempo de indignação

Uma boa indignação faz aflorar todo o poder de alguém”. (Ralph Waldo Emerson)

Nem sempre é legitimo que nos indignemos, embora, tristemente, não faltem motivos para nos enchermos de indignação, o grito pronto para rejeitar a impunidade de um crime, seja cometido à luz do dia com armas em punho ou na calada da noite por pessoas diplomadas e engravatadas.
É legítimo e necessário que alcemos nossas vozes, fechemos nossos punhos, empunhemos nossas bandeiras quando bandidos munidos de armas de fogo ou de mandatos políticos tomam o que não lhes devia pertencer, fora da lei ou dentro da lei.
Nossa indignação deve ser mobilizada. Indignação solitária é apenas um degrau na escada e vê pouco e pode pouco. Indignação que fica no plano individual pode se tornar apenas uma faceta da omissão.
Nossa indignação deve ser apaixonada e, ao mesmo tempo, crítica. Não devemos nos indignar com o que muitos se enfurecem. Pode ser que estejamos sendo conduzidos, convocados como plateia que aplaude ao som de palavras de ordem. Sempre temos que examinar as propostas que recebemos.
Não devemos nos indignar apenas contra as injustiças que nos atingem diretamente ou vitimam pessoas próximas de nós. Nosso protesto, para ser legitimo, tem que ser comunitário, nunca egoísta.
Precisamos ainda ter a coragem de admitir, se for o caso, que podemos fazer as mesmas coisas que condenamos.(Romanos 2.3). Temos que olhar para dentro de nós mesmos, para ver se ali não se abrigam as mesmas motivações, manifestas ou não, que lamentamos nos outros. Uma simples pergunta nos ajuda neste roteiro: faríamos diferente se estivéssemos na situação daquele a quem reprovamos?

Reproduzido do site PRAZER DA PALAVRA, de Israel Belo de Azevedo, que pode ser ser acessado em www.prazerdapalavra.com.br.

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Postado em

13/11/2017