O negócio do boato

O negócio do boato

“O boato é um ente invisível e impalpável, que fala como um homem, está em toda a parte e em nenhuma, que ninguém vê de onde surge, nem onde se esconde”. (Machado de Assis)

O negócio do boato

Quando Neemias se pôs a reconstruir o muro de Jerusalém, no século quinto antes de Cristo, enfrentou uma oposição feroz. (Não achemos que, por fazermos o certo, seremos apoiados integralmente. O certo sempre incomodará.)
Diferentes recursos foram empregados para fazer a obra parar. O último deles foi o boato. (Assim como nós nos esforçamos em fazer o bem, os maus também se empenham.)
A notícia falsa (fakenews) dizia que a verdadeira intenção do reconstrutor e sua equipe não era apenas reconstruir o muro mas também se rebelar contra o rei e lhe tomar o poder (Neemias 6.6). Espalhou-se o terror para que todos os povos vizinhos se unissem e derrotassem aquele cuja atitude certamente provocaria a fúria do poderoso império dominante. (O medo é irracional.)
Depois que Neemias desmentiu o absurdo boato, a mentira voltou sob a forma de uma ameaça. Era um convite a que fugisse para não ser morto. Também era notícia falsa porque não havia nenhum plano neste sentido. Era para ele fugir e ficar desacreditado. Se fugisse, o inimigo venceria sem precisar usar nenhuma arma, a não a ser a do boato (Neemias 6.1–14).
O boato tem sempre uma intenção malévola. Não pode ser orquestra na qual toquemos, dando ouvidos, aplaudindo ou passando adiante.

Reproduzido do site PRAZER DA PALAVRA, de Israel Belo de Azevedo, que pode ser ser acessado em www.prazerdapalavra.com.br.