Irados

Irados

“O vinho não embriaga tanto ao homem como o primeiro movimento da ira, pois ele cega o entendimento sem deixar luz para a razão”. (Mateo Alemán)

Irados

Conhecemos realmente as pessoas quando são contrariadas.
Quando uma brisa toca contra seu corpo, comportam-se como vulcões cujas lavas arrasam os que não conseguem correr.
Talvez digam que estão indignadas. Não é verdade: estão iradas.
Talvez gritem que estão defendendo uma causa legítima. Não é verdade: estão iradas.
A ira é incapaz de construir, porque seu único alvo é a destruição do adversário.
A ira jamais aceita a realidade, se for diferente da sua pretensão.
Uma vez que não visa a paz, a ira nunca tem razão. Ou: nunca deveria ter.
Todos temos que nos avaliar como reagimos à contrariedade, realidade que não temos como evitar. Se a ira for um sentimento que guardamos, ela explodirá; mesmo que nos isolemos numa imaginária ilha, vamos nos irar contra o sol, quando precisarmos de chuva.
Conheçamos as situações que fazem o gatilho da morte disparar a partir da casa do nosso coração.
Contemplemos os males da fúria.
Depois, prestemos atenção ao que nos provoca ao ponto de perdermos o controle de nossas atitudes, como se não pudéssemos esperar.
Se o nosso passado foi marcado pela ira, o nosso futuro pode ser embalado pelo ritmo da paz.
Se aprendemos a nos irar, podemos aprender a nos acalmar.
Se fomos ensinados a agredir, podemos também dar boas vindas ao respeito e ao amor.

“Fiquem irados e não pequem. Não deixem que o sol se ponha sobre a ira de vocês”. (Efésios 4.26)

Reproduzido do site PRAZER DA PALAVRA, de Israel Belo de Azevedo, que pode ser ser acessado em www.prazerdapalavra.com.br.