Explode a guerra

Explode a guerra

“Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem”. (Jean-Paul Sartre)

Explode a guerra

Quando explode a guerra, mesmo longe, não importa o que diga a propaganda, o que acontece — e sempre foi assim — é que morrem os pobres em casa ou nos campos de batalhas, falecem os fracos porque não conseguem correr, desaparecem as crianças que insistem em acreditar na bondade dos grandes. Quanto aos senhores da guerra, eles se protegem nos subsolos de seus palácios e usam os cadáveres que produziram como troféus para suas causas sanguinárias.
A guerra ao longe é também a nossa guerra. Não é para ser enfrentada com alienação, como se nada acontecesse, nem com indiferença, como se ninguém sofresse, nem como espetáculo, como se um videojogo parecesse. É para ser enfrentada com indignação, que rejeita a insensatez e recebe o refugiado se ele perto chegar; com sólida informação, que promove a lucidez e contra ela continua a protestar; com oração pela paz e contra a estupidez, pedindo a Deus que a faça cessar.
O que não podemos, na guerra travada longe, é transportar a barbárie para perto, como se fosse na nossa rua.
Quando é longe que matam, não podemos transformar nosso coração num cenário similar, onde bombas explodem e de onde saem palavras que matam como mísseis.
Acreditar na paz, desejada e experimentada dentro de nós mesmos, é uma missão com a qual precisamos nos envolver.

Reproduzido do site PRAZER DA PALAVRA, de Israel Belo de Azevedo, que pode ser ser acessado em www.prazerdapalavra.com.br.