As pernas do papai

As pernas do papai

“Os pais devem dar sempre para serem felizes. Dar sempre é o que faz que sejamos pais”. (Honoré de Balzac)

As pernas do papai

Nossas pernas contam a nossa história pessoal.
No início, não sabíamos andar, mas nosso pai nos pôs em pé e nos ensinou. Muitas vezes caímos, mas ele nunca nos deixou no chão. Finalmente, aprendemos a caminhar, porque o nosso pai tornou o que era impossível para nós um movimento fácil de realizar.
Depois, com as suas coisas a fazer, nosso pai nos chamava para ir com ele. Muitas vezes seguíamos em silêncio, algumas vezes ainda éramos puxados pelas mãos dele. O difícil era compassarmos os ritmos, nós passadas pequenas e ele passadas, largas. Olhávamos para as suas pernas: pareciam de gigantes. Às vezes, protestávamos; às vezes, sonhávamos em andar na mesma velocidade.
Com o seguir do tempo, passamos a caminhar ao seu lado, no mesmo ritmo, orgulhosamente de igual para igual.
Dentro de alguns anos — o tempo se tece como um tapete que voa! — nós tínhamos que nos conter para não deixar nosso pai para trás.
O tamanho das nossas pernas demarca os capítulos do livro da nossa vida.
As admiradas pernas do nosso pai guardam a memória do nosso intenso amor por ele.
Pai, nós te agradecemos por nos teres ensinado a caminhar com as nossas próprias pernas.
Pai, nós te agradecemos por nos teres desbravado as calçadas sobre as quais escrevemos a nossa própria história.

Reproduzido do site PRAZER DA PALAVRA, de Israel Belo de Azevedo, que pode ser ser acessado em www.prazerdapalavra.com.br.

Habilidades

Postado em

14/08/2017