Abismos atraentes

Abismos atraentes

“Aprendi uma coisa: só se conhece realmente uma pessoa depois de uma discussão. Só nessa altura se pode avaliar o seu verdadeiro caráter”. (Anne Frank)

Abismos atraentes

É assustadora a violência com que algumas pessoas defendem suas ideias.
Elas não defendem. Elas atacam.
Quem dialoga com pessoas desse tipo sabe que será alvo de agressões e ouvirá ameaças.
Uma explicação para a onda é o aumento exponencial dos meios disponíveis e rápidos de comunicação, ao possibilitarem a expressão direta e sem qualquer tipo de intermediário ou crivo.
Encerrar a questão deste modo impede uma necessária reflexão sobre a natureza do ser humano e faz com que se admita como aceitável a justificativa do motorista que se excede em velocidade por causa da excelência da pista em que trafega.
Quem fala demais não pode culpar a língua que tem na boca. Quem come desbragadamente não pode responsabilizar o sabor da comida à mesa. Quem é flagrado bêbado não pode acusar o bafômetro.
Nossas palavras revelam quem somos.
Nossas atitudes publicam o caráter que temos.
Antes de falar, temos que ouvir. Ao nos posicionar, temos que respeitar.
O que está dentro de nós só pode se tornar público depois de uma medida meditação sobre nós mesmos.
Se quem somos assusta, devemos nos recolher e nos arrepender, antes de sair atirando a esmo.
Se o que fazemos amplifica a barbárie massificada, precisamos escolher o caminho da honra, não o da lama, mesmo que ela se espalhe como um abismo ao nosso redor.

“Como vocês podem falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração”. (Mateus 12.34)

Reproduzido do site PRAZER DA PALAVRA, de Israel Belo de Azevedo, que pode ser ser acessado em www.prazerdapalavra.com.br.